quinta-feira, dezembro 21, 2006


Que hei-de eu fazer,
Eu tão nova e desamparada?
Quando o amor me entra de repente
P’la porta da frente
E fica a porta escancarada.
Vou-te dizer
A luz começou em frestas
Se fores a ver
Enquanto assim durares
Se fores amada e amares
Dirás sempre palavras destas..
P´ra te ter,
Pra que de mim não te zangues
Eu vou-te dar a pele do meu cetim
Coração carmesim
As carnes e com elas sangues.

Às vezes o amor,
No calendário, noutro mês é dor.
É cego e surdo e mudo.
Eu lia-te um diário disso tudo.

E se um dia a razão
Fria e negra do destino
Deitar mão à porta à luz aberta
Que te deixe liberta
E do pássaro se ouça o trilo
Por te querer
Vou abrir em mim dois espaços
Pra te dar
Enredo ao folhetim
Afloro ao teu jardim
As pernas e com elas braços

Mas se tudo tem fim,
Porquê dar ao amor guarida?
Mesmo assim,
Dá principio ao começo
Se morreres só te peço
Da morte volta sempre em vida…

Sérgio Godinho

Sem comentários: